Em todos os momentos da História, seja na Antiguidade, na Idade Média, ou no nosso tempo, são as mesmas paixões e os mesmos desígnios que inspiram os humanos. Entender a História é entender melhor a natureza humana.

04 abril 2018

Guerreiros de Pedra





Um livro fantástico, essencial para quem se interessa pelo mundo medieval e se quer livrar de crenças ou mitos, baseando-se em informação honesta, segundo o conhecimento histórico atual (porque, se há uma área ainda cheia de equívocos, é a da guerra medieval).

Este livro não é só de leitura, também de consulta, facilitada pela maneira como está estruturado. Temos descrições de vários castelos portugueses, como Tomar, Guimarães, Lanhoso, Almourol, Feira, Leiria, Beja e muitos outros, descrições que nos esclarecem quanto à data da sua construção e às mudanças que foram sendo operadas ao longo dos séculos. Um dos erros mais comuns é, por exemplo, assumir que o castelo de Guimarães era, ao tempo de D. Afonso Henriques, tal e qual como o vemos hoje.

Além das informações sobre os castelos e suas funções, ficamos a saber como decorria o quotidiano da guarnição, como esta estava organizada, como se processava a vigilância das praças-fortes, quais as táticas de ataque e defesa, como funcionavam os cercos (tanto do ponto de vista dos atacantes, como dos defensores), etc. Muito importante também é verificar quais as técnicas usadas nas diversas fases medievais, pois, um outro erro grosseiro, muito comum, é pensar que não houve evolução ao longo da Idade Média.

Numa linguagem acessível, por não ser excessivamente académica, este é um livro de facto essencial, um livro, no qual muito sublinhei e anotei, como se pode ver na imagem, e que folhearei e consultarei ainda muitas vezes.




Do mesmo autor, lerei, com toda a certeza, 1147 - A Conquista de Lisboa na Rota da Segunda Cruzada e De Ourique a Aljubarrota.
Mas há mais…


24 março 2018

Escravos

© Foto: Pixabay/SammisReachers


Quem pensa que a escravidão é coisa do passado, engana-se. Hoje em dia, há cerca de 40 milhões de escravos no mundo! Ficamos escandalizados, não é? Pois a verdade é que todos nós beneficiamos do trabalho escravo!

Mais irónico ainda é que um escravo nunca foi tão barato como hoje! Convertendo os preços para valores atuais, pode dizer-se que um escravo, no século XIX, custava algumas dezenas de milhar de euros. Ora, segundo a Walk Free Foundation, o preço mais barato de um escravo dos nossos dias é de apenas 20 euros!

Considera-se trabalho escravo quando as pessoas não recebem salário, são mal alimentadas, exercem o trabalho sob ameaça ou castigos, não se podem movimentar livremente, assim como não se candidataram livremente para o trabalho que exercem, nem aceitaram as condições a priori. A maior parte dos escravos trabalha na agricultura, na pesca, na construção civil, ou como empregados em casas particulares (na sua maioria, aquilo a que chamamos “criadas de servir”). As mulheres são mais suscetíveis de cair na escravidão do que os homens, pois são elas as maiores vítimas da exploração sexual, a que se juntam os casamentos forçados, nos quais a maior parte delas vive em condições escravizantes.

Por mais que nos esforcemos, é quase impossível para nós, consumidores, evitar comprar produtos que, em algum momento, dependeram de trabalho escravo. Só para dar alguns exemplos: muitos dos camarões que compramos são alimentados com farinha de peixe originária da Tailândia, confecionada através de trabalho escravo; a carne de porco que consumimos pode ter origem em animais portugueses, mas estes foram talvez alimentados com soja brasileira, proveniente de quintas que sobrevivem à custa de trabalho indigno; os smartphones (telemóveis) existem, graças a minerais raros provenientes do Congo, extraídos por escravos, não só adultos, como também crianças; muitos carros contêm aço brasileiro, obtido igualmente através de trabalho escravo.

Há situações ainda mais difíceis de detetar, já que é longa a cadeia de produção e opaca a estrutura laboral ligada a certos serviços. Quando pensamos, por exemplo, no vestuário produzido em condições duvidosas, estamos a considerar as trabalhadoras das fábricas têxteis asiáticas. Mas o problema é muito mais profundo. No caso do algodão, por exemplo, começa na sua colheita e passa pela preparação e fiação. Por isso, de pouco adianta as lojas fazerem contratos com fábricas, nas quais as trabalhadoras são respeitadas. O mesmo acontece em relação ao chá plantado e colhido à mão na Índia.

A solução não está à vista. Os responsáveis estão bem escondidos na densidade das estruturas comerciais do nosso mundo globalizado. Seriam precisas mudanças estruturais a nível económico, social, cultural e jurídico. A escravidão assenta na pobreza, no desemprego, nas crises económicas, nos conflitos armados e nas catástrofes naturais.

Também não adianta exigir leis mais rigorosas. A escravatura é proibida em todos os países do mundo, com a exceção da Coreia do Norte.

Mas, afinal, o que podemos fazer? Apoiar políticos, instituições e organizações que combatam o trabalho escravo, estar atento às suas recomendações e iniciativas, é um bom começo.


Nota: informações obtidas no jornal católico alemão KirchenZeitung, edição nº 4, de 28-01-2018.


21 março 2018

Contos da Emigração



«Algumas das histórias aqui apresentadas, com uma ou outra exceção, refletem os estragos sociais, familiares e morais causados pela emigração: famílias que se estilhaçam, a estranheza cultural, vidas que ficam pelo caminho, sonhos que se perdem, conquistas que se obtêm, mas, acima de tudo, a luta ciclópica que os que emigraram sempre têm de fazer para sobreviver num contexto difícil e desconhecido, para que a decisão de terem deixado tudo para trás não tenha sido em vão».
Do prefácio de Paulo Pisco, Deputado pela Europa

Os Contos da Emigração - Homens que Sofrem de Sonhos, podem ser encontrados, a partir de hoje, nas livrarias.

Os autores (além de mim):

Ana Cristina Silva (Prémio Fernando Namora 2017)
Eça de Queirós
Gabriela Ruivo Trindade (Prémio LeYa 2013)
Isabel Mateus
José Rodrigues Miguéis
Luísa Coelho
Miguel Szymanski
Nuno Gomes Garcia (Finalista Prémio LeYa 2014)
Rita Sousa Uva


19 março 2018

Conversões Forçadas na Coreia do Sul


Há uma realidade, na Coreia do Sul, desconhecida pela comunidade internacional, e para a qual a ONG HAC (Human Rights Association for Coercive Conversion) tenta chamar a atenção.

Trinta por cento da população coreana é cristã, mas são várias as confissões do cristianismo professadas, entre o catolicismo e o protestantismo. Segundo a HAC, existe uma verdadeira «guerra entre igrejas» (com dinheiro à mistura, claro) e há pessoas, normalmente, jovens, a serem convertidas sob enorme pressão e maus-tratos.

Baseada no caso de uma coreana de 25 anos, que acabou por morrer vítima da pressão e dos maus-tratos exercidos pelos próprios pais, instigados por um dos pastores especializados nas conversões forçadas, a HAC tem vindo a organizar manifestações em vários países. A 17 de Fevereiro passado, houve uma manifestação em Berlim, na qual participou Alfredo Estevão, lá residente, e que me fez chegar este vídeo, com pedido de divulgação. E eu achei por bem divulgar. Pelos Direitos Humanos!